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Como estudar na Alemanha sendo pobre*

*Baseado na minha experiência pessoal.

Atenção: O curso Pobreza 101 é parte do módulo Alemanha avançado. Supõe-se que você já tem visto de estudante e consequentemente, autorização para trabalhar.

Comecei a faculdade em Abril de 2016, e mesmo sem saber como, eu sabia que iria dar um jeito de sobreviver. Eu já havia trabalhado um pouco, nas férias, quando era estudante de alemão, e percebi que quando você já consegue desenrolar no alemão, achar trabalho é fácil. Ufaaaaa!!! Além disso, acho que 80% da minha turma trabalha.

Meu primeiro trabalho foi como garçonete em um castelo, onde eram realizadas festas, como casamentos, por exemplo. A experiência foi traumatizante, mas isso tem mais a ver comigo do que com o trabalho em si. Eu não tinha experiência nenhuma e era tudo tão rápido, que eu fiquei mega perdida.

Nesse mesmo castelo, havia uma Disco e me chamaram para trabalhar como Barkeeper. Mesmo ainda traumatizada, fui, com a esperança de que tudo fosse melhorar. E não é que deu tudo certo? Foi muito divertido. E a gorjetinha só o filet. Mas durou pouco, porque tive que mudar de cidade.

Nesse meio tempo, também trabalhei como Hostess em uma feira. Fiquei 3 dias na cozinha fazendo café. O trabalho foi muito tranquilo. Tão tranquilo que as vezes dava sono. Mas deu pra tirar uma graninha boa.

Quando o verão acabou e eu estava desesperada por dinheiro (apesar de ainda ter o dinheiro da conta-bloqueada), procurei jobs de babysitter e limpeza. Joguei no betreut.de e sai procurando feito louca. Até que um senhor me ligou: pai solteiro, 3 filhos e um apartamento enorme. Fui lá e ele queria que eu viesse 2x na semana por 3 horas e pagaria 12€/hora. Maravilha!!! Além disso, limpava mais duas outras casas com menos frequência.

Quando comecei a estudar em abril e o dinheiro da sperrkonto acabou, passei a procurar jobs de hostess, e infelizmente, a deixar esse senhor na mão diversas vezes, quando tinha que ir a uma feira e não podia ir a casa dele. Fui sincera com ele e disse que não ia dar mais, porque gostava muito deles e não queria que ele perdesse tempo comigo.

Todos os meses eu trabalhava em uma feira. Ganhava o suficiente para pagar o aluguel e sobreviver. O bom de feiras é que você trabalha como um condenado mas por alguns dias apenas e recebe o equivalente a um mês.

Eu ainda tinha um minijob de segurança. Isso mesmo rs Uma colega da faculdade que trabalha como segurança em jogos de futebol e shows me passou o contato do chefe dela e, como ele sempre precisa de gente, me chamou na hora para trabalhar. A maioria dos jobs era no fim de semana. E o melhor, voce so vai quando quer/pode.

O lado ruim de trabalhar tanto assim, é que as vezes (no caso das feiras, pelo menos) você tem que faltar aula. O dinheiro é bom. MUITO BOM. Mas não tao flexível como os outros.

Desde novembro de 2016, estou trabalhando como Werkstudent e agradeço todos os dias por esse trabalho. Eu faco meus horários e não preciso faltar mais aula! Sem contar que um dinheiro todo mês garantido já reduz a dor de cabeça/preocupação.

Agora que eu já contei minha trajetória, vou sumarizar tudo para ficar mais fácil de entender.

Garçonete/Barkeeper

É para quem gosta e sabe lidar com stress e não liga em trabalhar no fim de semana. Mais fácil de encontrar pelo facebook ou por indicação mesmo.

Hostess

Se voce fala inglês e alemão bem, se joga! Sempre trabalho por intermédio de uma agência. Estou inscrita em várias. Aqui algumas com quem já trabalhei: mks, UCM, InStaff e My VIP Service (mas eles só trabalham na feira de Friedrichshafen).

Babysitter/Limpeza

O betreut.de é o melhor site. Demora a aparecer alguma coisa mas depois dá certo!

Minijobs: Segurança e Catering

A vantagem desses é que voce vai quando quer/pode e sempre tem trabalho. Ah, e quase nunca precisa ter experiencia. Joga no Google quais empresas de segurança e catering tem na sua cidade. Eles sempre buscam pessoas novas.

Se voce quiser mais detalhes ou tiver dúvidas, pode me perguntar.

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“Não vou me adaptar…” – Morar no trabalho e outras formas de opressão

O que é o pior de ser au pair? Difícil dizer. Uma vez uma colega falou que para ela esse era – ao mesmo tempo – o trabalho mais fácil e mais difícil de todos. Não posso discordar.
Outro dia, estava tendo uma daquelas crises “o que eu estou fazendo aqui?” etc. Pois bem, em meio a esta crise, resolvi criar uma lista com os pros e os contras de ser au pair e tentar achar uma solução para minha vida.
A lista dos “pros” foi bem maior, mas a dos “contras” pesava muito mais. Tenho quase certeza que o peso que eu dei a cada um dos itens não é mesmo que outras dariam.

Enfim, meu maior problema não é o trabalho em si ou eu achar que não sou paga justamente, mas com certeza, ter que MORAR no trabalho.
Sabe aquele conforto que só nossa casa tem? Depois de um dia de stress, tudo o que você quer é a paz do seu cantinho, mas o que fazer quando esse cantinho se resume a seu quarto e que dependendo da situação nem parece seu?
É incrível a situação de desconforto que se sente quando se mora na casa de pessoas “estranhas”. E se essas pessoas não perceberem isso e não fizerem um esforço para você se sentir mais a vontade, ao invés de você se  acostumar, com o tempo, as coisas só pioram.
Bem, estou a dois meses aqui e sinto na pele o constrangimento de fazer algumas coisas. O jantar e os fins de semana, momentos que tenho de fato que conviver com o pessoal daqui, são os piores.
Um simples convite para sentar junto à mesa resolveria pouco meu problema. Não sou o tipo de pessoa que se mete onde não foi chamada. Sei que posso e tenho o direito de tratar essa casa como minha própria mas na prática é bem diferente.
Sinto um desconforto horrível quase diariamente. Demorei a entender exatamente o que me incomodava mais mas agora já sei.
Tenho sorte de o meu quarto ser separado do resto do apartamento mas ainda assim tenho que compartilhar tudo mais da casa e é sempre, sempre estranho.
Num sábado que não quero gastar dinheiro comendo fora, passar pela sala (onde eles estão reunidos) e ir a cozinha comer algo é uma missão quase impossível. Perdão aos extrovertidos, mas não há situação pior para uma pessoa tímida.
Minha esperança é com o tempo deixar de me importar tanto e pensar menos em tudo isso. Talvez eu vá vivendo assim e aguentando até acabar o ano ou eu desista de vez. Não sei bem o que vai acontecer. Eu precisava falar sobre isso, quem sabe ajude.

IT ARRIVED!

Só vim aqui dizer que meu lindo, esperado, desejado visto chegou!

Duas semaninhas só e meu visto chegou. Meu padastro chegou ontem com as compras do supermercado e eu fui ajudá-lo. Em cima da mesa tinha um envelope pequeno com meu nome. Eu nem acreditei. Sai correndo pro quarto da minha mãe gritando “chegouuuuuuuuuuuuuuuuuuuu”, feito uma retardada. Rasguei o envelope e lá estava ele, lindo. ❤

Ainda preciso comprar minha passagem, mas isso vai acontecer esses dias. Quiçás hoje. Arrumei um trabalho temporário (mas é full time). Pelo menos o tempo passa mais rápido. Daqui a quase nada: Alemanha!

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Da minha vida cuido eu.

E o prêmio de pergunta mais chata do século vai para “e agora que você se formou, vai fazer o quê?”

Já perdi a paciência e juro que minha vontade é dizer “não te interessa” mas na verdade a resposta é “não sei, não tenho ideia, não estou muito preocupada agora em responder, mas vou passar um tempo fora, esperando que a resposta chegue”.

Isso é o que eu gostaria de responder, mas geralmente sai um gentil “vou para a Alemanha ser au pair”.

“Aaaaau paaaaaair? O que é isso?” Então, lá vou eu ter que explicar e sou retrucada com um “você se formou para ser empregada doméstica?”

SIM! Exatamente! Algum problema?

“Meu deus, você é louca”, “você devia ficar aqui com sua família”, “por que você não procura um emprego na sua área?”

“Eu sei o que estou fazendo!” (não sei nada).

É difícil entender que eu só tou seguindo um sonho, que não é necessariamente ser au pair, mas o sonho de morar fora.

Essa foi a maneira que eu encontrei e não é que eu precise do apoio de ninguém, mas tanta ignorância chateia as vezes.

Em 2013, conheci um cara muito louco que tá viajando pelo Brasil de bicicleta. O dinheiro que ele consegue é fazendo malabares na rua e vendendo artesanato. Falei para ele da minha vontade de viajar, conhecer o mundo e ele me disse: “então, vai!”

“Quando eu sai de casa (Argentina), eu não tinha um centavo. Olha onde eu estou agora. Não fica adiando, vai logo! A cada dia aparece um motivo para você ficar, o tempo passa e você não vai ter feito nada”

Mais do que qualquer conselho que diga “trabalha aqui, junta dinheiro e depois você vai”, é o que ele disse que eu levo a sério, porque eu concordo totalmente.

Por que eu vou perder tempo? Agora que eu não tenho nada que me prenda aqui. Que já tirei o “peso” de ter que me formar das costas, chegou a hora de realizar meu sonho de anos.

Vão aparecer diversas tentações no caminho. Empregos, amores… mas se for o que você realmente quer, nada, nada mesmo pode te desviar do seu sonho.

E é por isso, que eu não desisti, nem vou – nem pelo melhor emprego do mundo – de fazer o que eu quero 😉

Das leben ist zu kurz… um Deutsch zu lernen!

E aqui estou eu tendo problemas de novo com meu querido amigo: o idioma alemão.

Passei as últimas semanas sem estudar. Depois da entrevista, queria um pouco de “sossego”.

Nessa última quarta-feira, acordei com um email da minha gast. Ela tinha enviado um email para a VSH (escola de idioma) de Düsseldorf perguntando se eu já podia me inscrever para começar em março o curso A2.

Eles disseram que sim, e que eu fizesse um teste online para saber meu nível.

Bom, fiquei logo nervosa, nervosíssima. O teste era uma porcaria. Achei bem difícil. Tinha um minuto para responder as perguntas e eu não sabia de nada. NADA.

Quando terminei o teste, eles pediram meu email e enviaram o resultado. Fui muito bem… só que não mesmo!

Eu pensei “mais tarde faço de novo e melhoro isso”. Mas depois pensei, “dane-se” e enviei mesmo assim para minha gast.

Bom, ela também reconheceu que eu fui péssima mas disse que eu não em preocupasse. Nunca menti para ela. Ela sabe que meu alemão é ruim e nós nunca conversamos em alemão.

Enfim, respondi dizendo que eu preferia começar do zero, ou seja, do A1. Ela, no entanto, disse que preferia que eu fizesse o A2, que eu refizesse o teste, e que seria melhor, já que eu vou precisar falar em alemão com as crianças quando ela sair de licença. Para finalizar, ela disse que a atual au pair deles chegou lá com nível B1 e o antigo com B2.

Fiquei bem sentida na hora por ela ter “esfregado” na minha cara isso. Na verdade, foi mais ou menos assim:

Juntando meu stress usual com o dia podre que eu tive e com mais esse email, cai logo no choro. Nesse processo, parece que é tudo ou nada. Qualquer coisinha que dê errado – ou pareça que está dando errado – é um desespero só.

Agora, um pouco mais calma, vi que foi uma overreaction mesmo. Sim, meu alemão é péssimo mas minha gast sabe disso e eu não tenho que me preocupar!

Mais tarde vou tomar umas cinco xícaras de café e refazer esse teste.

Não vejo a hora de isso tudo se acertar…

 

Up, up and away!

Ando um pouco muito sumida mas não é a toa!

Esses últimos dias andei estudando feito louca e ajeitando minhas coisas para a entrevista no Consulado.

Bom, o plano era ir na segunda (dia 6) mas parece que todas as pessoas do mundo resolveram ir para Recife nessa semana e simplesmente não consegui passagem. O jeito for ir na quinta-feira (9). 13 horas de viagem depois chego lá.

Encontrei com minha amiga Bruna, que saiu de Natal e também ia fazer entrevista pro visto de Au Pair na Alemanha.

Saímos de lá direto pro Aeroporto pra pegar meu passaporte (sim, ainda!) mas por sorte a fofa da Au Pair da Letra foi buscar a gente!

Passaporte em mãos, fomos então para o Consulado. O horário de serviço de lá é de 9 às 12 e já tava ficando tarde. Chegamos umas 10 e tal e já com medo de não dar tempo. Umas 500 pessoas resolveram ir lá naquela sexta!

Esperamos um pouco e finalmente me chamam. Entreguei os documentos, preenchi os documentos e eis que chega a hora da temida entrevista em alemão.

Sem nem me avisar ele já começa falando alemão comigo. Pede para eu sentar na outra cadeira e já engata a conversa.

Ele me perguntou muita coisa que eu não estudei e olha que eu estudei umas 100 perguntas. Vou tentar narrar como foi. Apesar de já ter esquecido um bocado, pelo nervosismo.

– Há quanto tempo você estuda alemão?
– Estudo há 4 meses.

– Onde você aprendeu?
– Tenho um professor particular. Um amigo de Konstanz. Estudo todo dia pela internet.

– Konstanz? Você já esteve lá?
(Bem, pra essa pergunta eu realmente não estava preparada. Travei um pouco mas consegui responder.)

– Não!

(Não consegui responder mais que isso)

– Você já esteve na Alemanha?
– Sim. Em 2009.

– Onde você esteve?
– Estive em Hamburgo.

– Por quanto tempo?
– Por 3 dias.

– Você só visitou Hamburgo?

– Sim.

– Você visitou outros países da Europa?
– Você pode repetir por favor? (Travei de novo.)

– Itália, França, você visitou outros países?
– Ah, sim, Portugal, Espanha, França e Alemanha. (Depois dele repetir 500 vezes, entendi.)

– Com o que você trabalha?
– Sou jornalista. (Disse isso porque explicar que tinha acabado de formar ia ser complicado, pra não dizer impossível.)

– Onde você trabalha?
– Eu não trabalho.

– Quanto tempo você estudou jornalismo?
– Você pode repetir por favor? (Travei DEMAIS. Não tinha IDEIA do que ele tava falando.)

– Quanto tempo você estudou jornalismo? (5x)

– 1 mês (!?) (Tinha entendido há quanto tempo eu tinha me formado.)

– Um mês?  Quanto tempo você ficou estudando Jornalismo?

– AAAAAAAH, 4 anos! (AE! FINALMENTE!)

– Você estudou em uma Universidade?
– Sim, em uma universidade!
– Chega, está ótimo!

AAAAAAAAAAAH, QUE DELÍCIA O ALÍVIO!

E finalmente acabou a tortura! Bruna também passou! UHUU!

Como vocês podem ver, a entrevista foi TENSA. Acho que passei por um milagre. E claro, o entrevistador era um amor de pessoa! E a moça que tava com ele também. Uma fofa! Aliás, todo mundo. Consulado de Recife, AMO VOCÊS ❤

Já morri de agradecer ao Niko por todas as madrugadas estudando comigo.

Ontem, a gast me mandou um formulário para me inscrever uma agência de au pairs lá da Alemanha. Depois de Recife, vim pra Natal, já que tenho minha colação na quarta-feira.

O problema é que aqui cancelei a internet aqui do apartamento de Natal e só tenho o lento do meu celular pra resolver tudo. Fui até na casa da minha prima com ela pegar o laptop dela e o gênio esqueceu a chave! Haha

Por sorte, o meu anjo da guarda, Niko, me ajudou mais uma vez. Imprimiu o formulário, ligou pra mim, traduziu tudo, preencheu o negócio, digitalizou e enviou pra minha gast! O que eu faria sem ele?!

Graças a Deus deu tudo certo! Agora é só esperar o visto chegar e au revoir!

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Bem-vindo, 2014! SEU LINDO!

Fim de ano viajando (não, nenhum lugar interessante). Estou de volta a Fortaleza e não tive nenhum tempo de postar nada.

Dei um tempo até no alemão mas ontem voltei com tudo. Vou passar a noite estudando também…

Hoje minha linda hostfamily conheceu minha mãe. Fiquei feliz que eles “se deram bem”. A conversa foi um tanto engraçada, eu tive que traduzir, mas no fim deu tudo bem.

Outra notícia ótima é que uma amiga minha de Natal teve match com uma família alemã! Acho que vamos viajar no mesmo dia! =D

Conheci pelo couchsurfing uma menina do Equador e estamos super combinando coisas agora no facebook 🙂

Segunda-feira vou finalmente pra Recife tirar o visto e OJALÁ vou passar na entrevista e esse troço vai sair rápido.

Por enquanto é isso. Ainda tou sem acreditar que o pesadelo com a universidade acabou e dia 15 de janeiro vou colar grau 🙂

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